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O mineirês e a poesia das Gerais
Por Denise Aleluia
Quando comentei sobre o festival "Comida di Buteco" disse que dá muito trabalho falar duas palavras como belo e horizonte separadas, então, fala-se Belorizonte como forma de economizar tempo e, é claro, saliva.
Nesse caso, o mineirês - língua complicada que exige anos de estudo e dedicação quase monástica para o completo domínio - se assemelha muito ao sueco, ao alemão e até mesmo ao inglês em que palavras enormes, muitas vezes escritas todas juntas, formam uma expressão.
É o caso do bãodimaisdaconta, expressão do mineirês que quer dizer ótimo, excelente. O que dizer do willkommen e do ich liebe dich que, em alemão significam, respectivamente, bem-vindos e te amo?
Mas as semelhanças param por aí. Só o mineirês possui um jeito todo especial que conquista os ouvidos, uma melodia em cada frase pronunciada.
Aliás, Minas não é só prosa, é muita poesia. Exemplos há aos montes: Drummond, Fernando Brant, Gildes Bezerra, Adélia Prado Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga (para relembrar e tirar um pouco a poeira do baú) e para não deixar de citar os compositores Fernando Brant, Tavito, Flávio Venturini, Marcio Borges e toda uma turma que ficaria horas escrevendo seus nomes.
A fonte de inspiração talvez tenha vindo do desenho singular das montanhas que quase beijam as nuvens de tão altas, do ar ameno, do trotar do cavalo, da música bem ensaiada do carro de boi, do sossego de suas vilas. Até as cidades grandes conservam os ares de interior.
Mas tudo isso é opinião de uma mineira que falava de idioma, mas que, ao citar música e poesia, acabou tentando dar uma de poeta.
Escrito por Denise Aleluia às 15h42
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Minas, o mar e o bar
Por Denise Aleluia
Já dizia o ditado que Minas não tem mar, mas tem bar. E como tem sô! E, é claro, o tipo mais comum é o boteco.
Por causa dessa enorme quantidade, há cinco anos, ocorre em Belo Horizonte o festival "Comida di Buteco". Isso mesmo, a grafia está correta porque em Minasss - o "s" deve ser bem pronunciado - em alguns casos, a letra "e" é substituída pelo "i", assim como o "o" é trocado pelo "u".
Esse é um dos maiores eventos gastronômicos de "Belorizonte" - dá muito trabalho falar as duas palavras, então, resolvi contrariar as regras da nossa língua e escrevê-las emendadas mesmo, como boa mineira.
Nesse festival, os botecos disputam quatro troféus nas categorias melhor comida de boteco, melhor atendimento, cerveja mais gelada e melhor higiene. Em cada dia do evento, os bares receberam atrações culturais.
Nesse ano, concorreram, ao todo, 31 botecos da capital mineira. O grande vencedor foi o Bar do Zezé que concorreu com o aperitivo carne com giló e angu e foi vencedor também na categoria "Melhor Atendimento".
Quem gosta de um bom aperitivo, cerveja gelada, uma cachacinha e é claro, o bom papo do mineiro - que tem sempre um causo para contar - não pode deixar de visitar os botecos de Minas.
Escrito por Denise Aleluia às 13h36
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Do rádio às novelas
Por Denise Aleluia
"Porque não tínhamos bicicleta", novo cd de Flávio Venturini está em alta. A agitada "Trator", composta em parceria inédita com Fernando Brant, vem tocando sem parar nas rádios.
Além dela, outras duas músicas do cd entraram para as trilhas sonoras de duas novelas das seis exibidas pela Rede Globo. "Pra lembrar nós dois", de Vanessa Rangel e Ary Sperling, embalou os apaixonados em "Chocolate com Pimenta", escrita por Walcyr Carrasco, novela que terminou há cerca de dois meses.
"Céu de Santo Amaro", que agora faz parte de "Cabocla", de Benedito Ruy Barbosa, foi composta sobre Ária de J.B.Bach e conta com a participação de Caetano Veloso, arranjo de Wagner Tiso e o violão de Torcuato Mariano.
Escrito por Denise Aleluia às 11h40
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Um pedaço da Esquina no Mineirão
Por Denise Aleluia
O Mineirão recebeu, ontem, cerca de 50 mil pessoas no mais clássico dos jogos entre seleções sul-americanas. Brasil e Argentina se enfrentaram pela sexta rodada das eliminatórias da Copa do Mundo.
A festa teve um toque a mais de "mineridade" quando Milton Nascimento, o maior representante do Clube da Esquina, e Gilberto Gil cantaram o Hino Nacional acompanhados pela Banda da Polícia Militar e pelos tambores e berimbaus do grupo Berimbrau.
Mas não é a primeira vez que a dupla canta junta. Eles lançaram o álbum intitulado Gil & Milton com o qual concorreram ao Grammy - o prêmio mais importante da indústria fonográfica mundial - na categoria World Music em 2002. Quem pensa que eles são estreantes se engana. Gil venceu a categoria World Music com o disco Quanta Live, em 99 e Milton ganhou o mesmo prêmio no ano anterior, com Nascimento. Mas, infelizmente, a dupla perdeu o prêmio para o músico indiano Ravi Shankar.
Mudando um pouco de assunto: quem não sabia que os mineiros são famosos pela hospitalidade, teve a prova. O treino da seleção verde e amarela, realizado na véspera do jogo, em pleno dia de semana, contou com a presença de cerca de 30 mil pessoas. Parecia dia de clássico entre Atlético e Cruzeiro.
E como mineiro não guarda mágoa, tinha torcedor até na porta do hotel que hospedava os argentinos. Isso porque Sorín, autor do único gol da Argentina, já viveu dias de glória no Cruzeiro. Alguns cruzeirenses chegaram a afirmar que torceriam pelo craque em detrimento do Brasil.
Não precisa dizer que a torcida dessa meia dúzia de gatos pingados pouco valeu e que saímos vitoriosos, com 3 gols de pênalti de Ronaldo.
Escrito por Denise Aleluia às 15h00
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Belo Horizonte terá Museu da Esquina
Por Denise Aleluia
A notícia parece meio velha, mas é bastante interessante. Assim como os Beatles e Elvis Prestley o pessoal do Clube da Esquina vai ganhar um museu só deles. No dia 25 de março foi lançado, na capital das Minas Gerais, a Associação de Amigos do Clube da Esquina. Com essa entidade em funcionamento, o próximo passo é a criação de um museu que abrigará um vasto material sobre os artistas.
A idéia surgiu quando Márcio Borges, letrista e membro do movimento, ao comentar com sua mulher que gostaria de voltar aos velhos tempos de parcerias com Milton e Lô, recebeu a resposta, em tom de brincadeira, de que ele deveria fundar um museu.
Segundo Marcio, naquela mesma noite, ele sonhou que estava num antigo bar em Belo Horizonte, nos anos 60, com o amigo Milton em meio a documentos, objetos, manuscritos, fitas de gravação, vídeos e fotos que marcaram a trajetória dos amigos Beto Guedes, Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Toninho Horta e outros.
Dessa forma, ele acordou determinado a perpetuar o movimento fundado há mais de 30 anos na esquina das ruas Divinópolis com Paraisópolis, em Santa Tereza.
A primeira etapa do projeto consistirá no levantamento do acervo imaterial dos envolvidos, além da criação de um endereço eletrônico. O trabalho inicial será gerido em parceria com o Museu da Pessoa, em São Paulo, especializado na implantação de museus virtuais, a partir de projetos de memória oral.
O projeto inclui ainda, até julho deste ano, a realização de palestras batizadas de "Museu Vivo do Clube da Esquina", para estudantes de música, ONGs da área cultural e escolas públicas; a montagem de duas cabines de captação de depoimentos, na capital mineira e em São Paulo, além de um encontro temático, reunindo protagonistas daquela trajetória musical.
No site "Histórias de Belo Horizonte " você confere a história do sonho contada pelo próprio Márcio.
Escrito por Denise Aleluia às 14h07
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A história da "Rua Ramalhete"
Por Denise Aleluia
Eu, hoje, pulei da cama ao som de uma das minhas músicas preferidas. Uma música que ouvi pela primeira vez quando era uma menininha na, então, pacata Itajubá.
Rua Ramalhete, esse é o nome da música que toca meu coração de um jeito que não dá para explicar. Foi aí que resolvi buscar pelo autor dessa pérola.
Foi com grata surpresa que, viajando pelo site do Tavito descobri a origem de "Rua Ramalhete" e vou reproduzir aqui.
"A Rua Ramalhete era uma ruazinha de Belo Horizonte de um quarteirão só. Começava na Rua do Ouro, no alto da Serra, bairro de classe média onde a família de Tavito residia - e terminava num córrego cristalino que corria onde hoje é a extensão da Rua Estevão Pinto. Havia o costume entre a meninada que estudava no Colégio Estadual (Sucursal Serra), de se sair das aulas à tardinha e varejar pela Rua Ramalhete.
Explica-se: a rua era povoada por moças, lindas todas, naquela idade em que se adolesce - e o coração dos moços adoece. Não havia trânsito de automóveis na Rua Ramalhete. Aos domingos, as meninas estendiam a rede de vôlei de lado a lado e jogava-se o dia inteiro, e os carros que se danassem. As noites sempre eram sonorizadas por rodas de violão entremeadas de castos namoricos furtivos.
Aos sábados, festinhas onde se dançava coladinho, ao som da boa música da época, Beatles e Bossa Nova, Luiz Eça e Herman's Hermits. Isso tudo ficava a poucos quarteirões do vetusto Colégio Sacré Coeur de Marie, severo que só, com suas freiras de cenho franzido e hábitos negros como a noite negra.
Esse colégio despejava na rua, duas vezes por dia, magotes de moças ensolaradas e sonhadoras, com suas saias de madras enroladas na cintura para que os moços pudessem ver seus joelhos (quem sabe a primeira sugestão das coxas), tudo dentro dos limites do combinado como "linha da decência".
Esse trajeto Sacré Coeur/ Rua Ramalhete constituía o dia-a-dia de Tavito e sua turminha de garotos normais, na fase mais doce da vida, tão doce que às vezes não nos apercebemos dela - a não ser anos mais tarde. Nesse território, Tavito e seu violão eram absolutos."
Fonte: Site Oficial do Tavito: www.tavito.com.br
Escrito por Denise Aleluia às 15h10
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Vontade de ser andorinha
Por Denise Aleluia
Eu queria ser como a andorinha da música de Telo e Márcio. Queria voar livre, sem destino nem sensatez, mas com dinheiro para pelo menos um pastel da China, de Belém ou do Mercado Municipal.
Queria pousar nas mãos das pessoas e fazer ninhos no fundo dos seus corações. Queria fazer canções que outros não fizeram, voar veloz, desbravar lugares desconhecidos e pousar na linha do horizonte.
Fazer as coisas sem vacilar, sem medo da felicidade que se esconde depois de cada bater de asas. É assim, queria me libertar desse pesado corpo e voar e, acima de tudo sonhar!
Escrito por Denise Aleluia às 14h36
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O porquê
Por Denise Aleluia
As coisas na vida são engraçadas. Quando meu professor anunciou em sala que um dos trabalhos do semestre seria fazer um blog com tema livre, imaginei logo de cara escrever sobre o Clube da Esquina. Todos que me conhecem sabem o quanto eu gosto de MPB, tanto que escuto apenas rádios especializadas nesse tipo de música. Mas nem todos, ou melhor, ninguém sabe o porquê disso. Comecei a produzir o blog, mas não me dei conta de que não havia justificado a escolha desse tema.
Eu explico: fui contaminada, picada por essa mosquinha que me deixou doente ainda criança, ficando os sintomas encubados e se manifestando somente no começo da adolescência. Sempre me lembro dos domingos, o cheiro de coisa gostosa sendo preparada por minha mãe e meu pai lendo o jornal sentado no alpendre de casa com o som do Milton tocando na vitrola. Sim, era o tempo das velhas bolachas pretas.
Meus irmãos, Regina, Emerson, Aristóteles e Alexandre, todos mais velhos que eu, eram fãs do Terço e mais tarde, do 14 Bis. Ouviam também Lô Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, hits que tocavam na Rádio Universitária. Não posso esquecer que meu irmão Emerson era fã número um de Paulinho Pedra Azul.
Era um tempo legal, o dinheiro era curto e meus irmãos faziam uma "vaquinha" para comprar os mais recentes lançamentos desse pessoal. Às vezes, a solução era tomar emprestados LPs de amigos e gravar as músicas em K7. As gravações foram ficando tão boas que meu irmão Alexandre se tornou um perito nessa arte e começou a gravar fitas por encomenda. Meu irmão Aristóteles, que estudava na EFEI, era também locutor, aos domingos à noite, da Rádio Universitária e tocava os grandes sucessos do Clube.
No começo da adolescência deixei de lado os hits infantis e mergulhei na poesia mágica da Esquina. Minha música favorita era Maria Solidária, cantada por Beto Guedes. Não sei porque, mas havia alguma coisa nela que me fazia viajar. Mais tarde, descobri que as músicas desse movimento têm a capacidade de suscitar os melhores e mais profundos sentimentos em quem ouve.
Assim, aprendi a ouvir boa música e descobri que "certas canções que ouço, cabem tão dentro de mim que perguntar carece, como não fui eu que fiz"?
Escrito por Denise Aleluia às 13h07
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Flávio Venturini concorre a duas categorias em Prêmio Multishow
Por Denise Aleluia
"Melhor cantor" e melhor Cd com "Porque não tínhamos bicicleta" são as duas categorias em que Flávio Venturini está concorrendo ao Prêmio Multishow de música.
Este prêmio consiste numa votação popular em que o público indica, sem pré-seleção de nomes, os artistas favoritos. Em seguida, os cinco mais votados de cada categoria, vão para a final.
Para quem deseja votar, basta se cadastrar e indicar através do link
Escrito por Denise Aleluia às 14h04
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O nascimento do Clube da Esquina
Por Denise Aleluia
É inegável dizer que o cruzamento mais famoso do Brasil é o encontro, imortalizado por Caetano nos versos de Sampa, das avenidas Ipiranga e São João.
O curioso é que nem todos sabem que a esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro de Santa Teresa, em Belo Horizonte, deu origem a um movimento musical que revolucionaria a Música Popular Brasileira, o Clube da Esquina. Apesar dessas duas cidades que se aproximam numa estranha e mágica geografia nunca terem sido cantadas, esse lugar tão precioso possui uma sonoridade que embala corações e mentes na voz dessas pessoas que cantam e encantam a vida de quem ouve cada canção.
Encravada na Serra do Curral, a capital mineira foi o ber ço de músicos como os Borges e os Venturini e também acolheu os "estrangeiros" Beto Guedes, Milton Nascimento entre outros. Mas como começa essa história?
A chegada de Milton, o Bituca, carioca criado em Tr ês Pontas, à capital em 63 pode ser considerado o estopim do movimento.
Bituca foi morar numa pens ão no Edifício Levy, na Avenida Amazonas, no centro da cidade. Seus vizinhos de apartamento eram os irmãos Borges. Todas as noites eles se encontravam no "quarto dos homens" da família e bebiam batida de limão. Dessa amizade surgiram as primeiras composições de Milton letradas por Márcio, Novena, Gira Girou e Crença, compostas no ano de 1964. A esquina passou, então, a servir de palco para esse pessoal que se reunia para cantar, tocar violão, discutir política e ouvir os Beatles.
O primeiro disco com a cara e a voz do movimento é fruto do encontro de Milton Nascimento e Lô Borges, um garoto de 17 anos na época. O LP sugestivamente intitulado Clube da Esquina foi lançado em 1972, pela gravadora EMI.
Nascia, assim, esse Clube do qual muitos sonham fazer parte. Acompanhe as hist órias da esquina e descubra porque os sonhos não envelhecem.
Escrito por Denise Aleluia às 15h57
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